Concursos Fraudados? MP Lento e Prefeituras que Lucram com o Caos: o Escândalo ASSEGE em Sergipe
ASSEGE desviou recursos, fabricou 3.531 isenções fictícias. MP leva quase dois anos sem concluir inquérito. Prefeituras contratam centenas de apadrinhados.
Estimativa de Valores Desviados Apenas em Porto da Folha
R$ 1.015.498,88
Incluindo R$ 359.535 em isenções fictícias comprovadas pelo MPSE
1 Quem é o Instituto ASSEGE
O Instituto ASSEGE de Administração e Educação da Bahia (CNPJ 04.228.521/0001-51), com sede em Feira de Santana-BA, é uma empresa que se converteu em "instituto" (associação sem fins lucrativos) em 27 de outubro de 2023 — poucos meses antes de firmar os contratos investigados. Apesar da roupagem de entidade educacional, a ASSEGE operava como empresa comercial organizadora de concursos públicos, acumulando contratos em municípios de pequeno porte da Bahia e de Sergipe.
Segundo dados levantados pelo O Fiscal, a ASSEGE organizou concursos em pelo menos 12 municípios, incluindo Barrocas, Aramari, Rio Real, Sapecaçu, Capela do Alto Alegre e Conceição da Feira, na Bahia, além de Porto da Folha e Aquidabã, em Sergipe. Destes, pelo menos três tiveram concursos suspensos judicialmente por irregularidades: Porto da Folha (SE), Rio Real (BA) e Capela do Alto Alegre (BA).
Padrão ASSEGE: Preço Abaixo do Mercado
Em Rio Real (BA), o Ministério Público da Bahia demonstrou que a ASSEGE reduziu sua proposta de R$ 400.786,00 para R$ 125.300,00 — uma queda de 70% — sem demonstrar viabilidade econômica. O motivo? A margem de lucro real vinha do desvio das taxas de inscrição, não do contrato formal. O mesmo padrão foi identificado em Porto da Folha, onde o contrato de R$ 487.500 foi firmado sem licitação.
2 Anatomia da Fraude: O Caso Porto da Folha
O concurso público de Porto da Folha (Editais 001, 002 e 003/2024) oferecia 436 vagas para todos os níveis de escolaridade, com salários entre R$ 1.412 e R$ 13.733. A ASSEGE foi contratada por R$ 487.500,00, mediante dispensa de licitação (Art. 75, Lei 14.133/2021). As inscrições atraíram 13.779 candidatos — um número que evidencia a esperança de milhares de sergipanos em ingressar no serviço público por mérito.
A investigação do MPSE, conduzida pelo Promotor de Justiça Fábio Putumuju de Oliveira, documentou cinco fraudes distintas:
O contrato determinava que todas as taxas de inscrição deveriam ser depositadas na conta do Município. No entanto, a ASSEGE manipulou o sistema de boletos: em alguns dias, os pagamentos iam para a conta municipal; em outros, para a conta bancária da própria ASSEGE. O candidato José Garcez de Goes Junior, inscrito para Professor, pagou R$ 120, mas o boleto tinha como beneficiário a ASSEGE — e seu nome apareceu como "isento" no relatório oficial.
O edital permitia requerimento de isenção apenas nos dias 8 e 9 de julho de 2024. No entanto, a ASSEGE concedeu isenções fora desse período — entre 10 de julho e 4 de agosto. Somente no Edital 001/2024, foram contabilizadas 3.531 isenções fictícias, totalizando R$ 359.535,00 em taxas que deveriam ter sido cobradas. Entre os "isentos" estavam profissionais de alto rendimento: médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e engenheiros civis — categorias que claramente não se enquadram nos critérios de hipossuficiência previstos no edital. Quando questionada, a ASSEGE alegou a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) para se recusar a publicar a lista dos candidatos beneficiados — embora tenha publicado RG e data de nascimento de outros candidatos.
A ASSEGE oferecia preços artificialmente baixos em licitações porque sua fonte real de lucro eram as taxas de inscrição desviadas. Isso criava uma competição desleal, eliminando concorrentes legítimos que não podiam operar com margens negativas. As Operações Gabarito I e II confirmaram a existência de empresas de fachada ligadas à ASSEGE, usadas para simular concorrência em processos licitatórios.
O valor real arrecadado com as inscrições atingiu pelo menos R$ 1.015.498,88 (R$ 655.963,88 declarados pelo Município + R$ 359.535,00 em isenções fictícias). No entanto, a nota fiscal emitida pela ASSEGE registrou valor inferior, reduzindo artificialmente a base de cálculo dos tributos. Trata-se de crime de sonegação fiscal.
O gabarito preliminar foi publicado em 3 de setembro de 2024, com prazo para recursos nos dias 4 e 5 de setembro. Porém, em 21 de outubro de 2024 — 47 dias após o encerramento do prazo recursal —, a ASSEGE publicou o "Comunicado 003-2024" aceitando recursos extemporâneos e alterando o gabarito definitivo. Esta alteração ocorreu depois da divulgação do resultado preliminar, invertendo posições de candidatos e beneficiando pessoas específicas. A Operação Gabarito (GAECO) apura indícios de venda antecipada de gabaritos.
3 O Concurso de Aquidabã: Mesmo Padrão, Mesma Banca
O município de Aquidabã realizou seu concurso público (Editais 01 e 02/2024) através da mesma ASSEGE, com provas aplicadas em 26 de maio de 2024. Foram oferecidas 153 a 158 vagas para cargos de todos os níveis, incluindo professores, médicos, assistentes administrativos e agentes de limpeza, com salários entre R$ 1.412 e R$ 5.000. O concurso atraiu 14.736 candidatos inscritos.
O resultado final de Aquidabã foi retificado a pedido do Ministério Público em 11 de fevereiro de 2025, após a identificação de irregularidades no processamento das provas. A cidade foi alvo direto da Operação Gabarito (Fase I, 26/06/2025), com mandados de busca e apreensão cumpridos tanto em Aquidabã quanto em Aracaju.
| Indicador | Porto da Folha | Aquidabã |
|---|---|---|
| Vagas oferecidas | 436 | 153–158 |
| Candidatos inscritos | 13.779 | 14.736 |
| Valor do contrato | R$ 487.500 | Não divulgado |
| Forma de contratação | Dispensa | Dispensa |
| Data da prova | 01/09/2024 | 26/05/2024 |
| Resultado retificado pelo MP | Sim | Sim (11/02/2025) |
| Concurso suspenso | Sim | Não |
| Candidatos nomeados | 0 (zero) | 0 (zero) |
É importante contextualizar que Aquidabã já enfrentava grave crise institucional antes mesmo do escândalo do concurso. O ex-prefeito Francisco Francimário Rodrigues de Lucena ("Dr. Mário") foi afastado do cargo em agosto de 2024 pela Operação "Societas Illicita" (GAECO/MPSE), por suspeitas de crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações de obras públicas. O STJ indeferiu sua liminar para retornar ao cargo, e o Judiciário manteve o afastamento por mais 90 dias em novembro de 2024. Sua sobrinha e sucessora, Ana Helena Carvalho, foi eleita Prefeita do município nas eleições do mesmo ano, e decidiu não convocar os concursados.
4 Operações Gabarito I e II: O GAECO Entra em Ação
As investigações do MPSE culminaram em duas operações policiais coordenadas pelo GAECO, sob supervisão do Promotor Manoel Cabral:
Deflagrada pela 9ª Promotoria de Justiça, com apoio das Promotorias de Porto da Folha e Aquidabã e do GAECO, em ação conjunta com o MPBA, Polícia Civil (DEOTAP), Polícia Militar (BPRp) e Gabinete de Segurança Institucional.
- Mandados de busca e apreensão em 4 municípios: Aracaju e Aquidabã (SE), Feira de Santana e Alagoinhas (BA)
- 7 pessoas físicas e 2 pessoas jurídicas investigadas
- Crimes: manipulação de processos seletivos, comercialização antecipada de gabaritos, vínculos societários ocultos, empresas de fachada
Focada em fraudes estruturadas nos concursos de Aquidabã e Porto da Folha, com diligências no estado da Bahia.
- Aprofundamento na manipulação de propostas em licitações
- Identificação de supressão de competitividade e direcionamento de concursos
- Alvo principal: empresa sediada na Bahia usada para cometer os ilícitos
Antes das operações Gabarito, a Operação Ruídos (MPBA, 14/03/2025) já havia cumprido mandados em Aracaju (SE), Feira de Santana, Juazeiro, Conceição do Coité, Itapicuru, Ribeira do Pombal e Nazaré (BA) — revelando que o esquema fraudulento se estendia por múltiplos estados.
5 A Lentidão do Ministério Público: Uma Cronologia da Inércia
Se por um lado o MPSE, através do GAECO, conduziu operações importantes, por outro lado a cronologia dos fatos revela uma demora excessiva entre a identificação dos indícios de fraude e as ações concretas para proteger os candidatos aprovados e a população:
26 de maio de 2024
Prova do concurso de Aquidabã. A partir daqui, denúncias começam a chegar ao MPSE.
1º de setembro de 2024
Prova do concurso de Porto da Folha. 13.779 candidatos participam.
21 de outubro de 2024
ASSEGE altera o gabarito definitivo 47 dias após o prazo — irregularidade flagrante. MPSE já monitorava, mas nenhuma ação judicial é proposta.
31 de outubro de 2024
MP pede quebra de sigilo bancário e fiscal (Proc. 202480002404). Investigação encaminhada ao GAECO. Porém, os candidatos não são informados.
6 de dezembro de 2024
ASSEGE republica resultado final com alterações inexplicáveis nas posições de candidatos.
13 de dezembro de 2024
Prefeitura publica convocação dos aprovados — gerando esperança que logo seria frustrada.
27 de janeiro de 2025
Juiz Isaac Costa Soares de Lima suspende o Edital 001/2024. 5 meses depois das primeiras fraudes identificadas.
11 de fevereiro de 2025
Resultado do concurso de Aquidabã é retificado a pedido do MP — 9 meses após a aplicação da prova.
24 de março de 2025
MP finalmente propõe a Ação Civil Pública para anulação total dos 3 concursos. 10 meses após a prova de Porto da Folha.
5 de maio de 2025
Juiz Isaac Costa suspende todos os 3 editais, bloqueia pagamentos à ASSEGE e fixa multa de R$ 10.000/dia.
26 de junho de 2025
Operação Gabarito — Fase I. Mandados de busca em Aracaju, Aquidabã, Feira de Santana e Alagoinhas.
12 de dezembro de 2025
Operação Gabarito — Fase II. Aprofundamento da investigação na Bahia.
1º de dezembro de 2025
Juiz Raphael Ferreira Rocha Santana determina a junção dos processos para julgamento conjunto.
Abril de 2026 (presente)
Quase dois anos após o concurso de Aquidabã e 19 meses após o de Porto da Folha: nenhum candidato nomeado, nenhum responsável punido, inquérito sem conclusão.
O Que Deveria Ter Acontecido
O artigo 127 da Constituição Federal define o Ministério Público como "instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis". Diante de indícios claros de fraude — alteração de gabarito fora do prazo, desvio de taxas de inscrição, isenções fictícias —, a ação do MP deveria ter sido imediata. Em vez disso, foram necessários 10 meses para a propositura da ação anulatória e quase dois anos sem conclusão do inquérito.
6 Enquanto Isso, a Máquina Incha: Os PSS Sob Suspeita
Enquanto milhares de aprovados aguardam no limbo, as prefeituras de Porto da Folha e Aquidabã não ficaram inertes — mas agiram na direção oposta: contratando centenas de temporários sem critérios objetivos de seleção, em processos seletivos simplificados (PSS) repletos de falhas.
Porto da Folha: 468 contratos temporários sem seleção impessoal
Dados obtidos pelo O Fiscal no Portal da Transparência de Porto da Folha revelam que, somente entre janeiro e março de 2025, o município firmou aproximadamente 468 contratos temporários, envolvendo cerca de 233 profissionais — todos admitidos sem qualquer processo seletivo objetivo. A contratação abrangeu cargos idênticos aos oferecidos no concurso suspenso: médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, motoristas, recepcionistas e dezenas de outros.
O Promotor Fábio Putumuju de Oliveira havia emitido a Recomendação nº 02/2025, determinando que o Município rescindisse os contratos ilegais na Saúde (216 contratados sem critérios) e, alternativamente, utilizasse a lista de aprovados do concurso para contratações temporárias. A Prefeitura de Porto da Folha, por meio do Ofício 110/2025/SMS, informou que estava "organizando" um PSS — mas não tomou medida concreta.
O MPSE propôs, então, uma nova Ação Civil Pública de Obrigação de Fazer (24/03/2025) exigindo a anulação de todos os contratos temporários de 2025 firmados sem critérios objetivos e a realização imediata de PSS, com pedido de multa de R$ 5.000 por contrato ilegal não rescindido, solidária entre o Município e o Prefeito Everton Lima Gois.
A Armadilha dos Temporários
A Constituição Federal (art. 37, IX) permite contratação temporária, mas exige três requisitos cumulativos: temporariedade, excepcionalidade e determinação temporal. Além disso, a seleção deve observar critérios impessoais e objetivos. A contratação direta — sem edital, sem prova, sem classificação — viola o princípio da impessoalidade e abre espaço para favorecimento baseado em amizade, parentesco e ideologia política.
A luta dos aprovados: manifestações, apoio parlamentar e resistência
Diante da omissão das prefeituras e da lentidão do Judiciário, os aprovados nos concursos de Porto da Folha e Aquidabã não se calaram. Organizaram-se em movimentos coletivos e levaram suas demandas às ruas, à Câmara de Vereadores e à Assembleia Legislativa.
Os aprovados de Porto da Folha realizaram manifestação pública em 17 de janeiro de 2025 em frente à Câmara de Vereadores, denunciando a criação de aproximadamente 300 cargos comissionados e contratos temporários enquanto nenhum aprovado era convocado.
Destaque: a atuação presencial do Deputado Georgeo Passos
Entre os parlamentares que se posicionaram, merece destaque especial o Deputado Estadual Georgeo Passos (Republicanos), que não se limitou a discursos na tribuna da Assembleia Legislativa: esteve pessoalmente nas manifestações dos concursados, ao lado dos aprovados e de suas famílias, empunhando faixas e cobrando publicamente respostas das autoridades responsáveis. Sua presença nas ruas reforçou a legitimidade do movimento e ampliou a visibilidade da causa nos meios de comunicação.
Apoio na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional
O Deputado Estadual Garibalde Mendonça (PDT) leu o manifesto dos aprovados na Assembleia Legislativa de Sergipe em duas ocasiões (6 e 19 de março de 2025), garantindo que a denúncia constasse em ata oficial. Os deputados Kitty Lima e Linda Brasil também se manifestaram em apoio aos concursados na tribuna da ALESE.
No âmbito federal, o Deputado Federal Thiago de Joaldo manifestou publicamente seu apoio aos concursados aprovados, tanto em entrevistas de rádio quanto em suas redes sociais, ampliando o alcance da denúncia para além das fronteiras do estado e levando a questão ao debate em nível nacional.
Os vereadores que defendem os concursados
A luta dos aprovados também encontrou apoio fundamental nos legislativos municipais. Vereadores de ambas as cidades têm se posicionado de forma permanente em defesa dos concursados:
Câmara de Aquidabã
- Alberto Luduvice (Gago Policial) — Defensor vocal dos concursados, tem cobrado insistentemente a nomeação dos aprovados nas sessões da Câmara e em manifestações públicas.
- Manu de Nino — Acompanha de perto a situação dos aprovados e tem pressionado a gestão municipal por respostas concretas.
- Jaziel Gomes (Saquarema) — Tem atuado na fiscalização dos contratos temporários e na defesa do direito dos concursados aprovados.
Câmara de Porto da Folha
- Flávia Luana — Tem sido uma das vozes mais ativas na Câmara de Porto da Folha em defesa da nomeação dos aprovados e contra a substituição por temporários.
- Marcel — Acompanha as ações judiciais e tem cobrado transparência da gestão municipal sobre o andamento do concurso.
- Pedro Pajeú — Defende publicamente os direitos dos concursados e denuncia a contratação irregular de temporários sem processo seletivo.
A atuação conjunta de deputados estaduais, deputado federal e vereadores demonstra que a causa dos concursados transcende a esfera local e representa uma questão de interesse público de todo o estado de Sergipe. No entanto, apesar de toda a mobilização política e social, nenhum aprovado foi nomeado até a presente data.
7 O Povo Paga a Conta: Sem Médicos, Sem Professores, Sem Esperança
Por trás dos números, dos processos judiciais e das operações policiais, existe uma realidade que os autos não conseguem traduzir completamente: o sofrimento concreto da população de Porto da Folha e Aquidabã.
Enquanto os concursos permanecem suspensos e as prefeituras contratam por indicação política, os postos de saúde funcionam com equipes incompletas, as escolas operam com professores contratados sem seleção e os serviços de assistência social — essenciais em municípios com altos índices de pobreza no semiárido sergipano — funcionam com pessoal precário e rotativo.
A cada contrato temporário firmado por afinidade política, uma vaga que deveria ser preenchida por mérito é ocupada por alguém que não passou por nenhum crivo de competência. A cada mês que passa sem a conclusão do inquérito, a mensagem que o sistema envia aos 28.515 candidatos que prestaram as provas em ambos os municípios é devastadora: "estudar não vale a pena; conhecer o prefeito, sim".
Total de candidatos que prestaram provas nos dois municípios
28.515
13.779 em Porto da Folha + 14.736 em Aquidabã — Nenhum nomeado até hoje
8 O Labirinto Judicial: 5 Processos, Nenhuma Conclusão
Até a publicação desta reportagem, o O Fiscal identificou cinco processos judiciais relacionados ao caso:
| Processo | Tipo | Status |
|---|---|---|
| 202580000637 | ACP Anulatória (MP vs. Município/ASSEGE) | Liminar concedida |
| 202480002782 | ACP (SIMPOF vs. Município/ASSEGE) | Reunido p/ julgamento |
| 202480002404 | Quebra de Sigilo Bancário (GAECO) | Sob sigilo |
| 202580000135 | Mandado de Segurança (Aprovados) | Extinto |
| ACP PSS | ACP Obrigação de Fazer (MP vs. Município/Prefeito) | Em andamento |
A ASSEGE, por meio dos advogados Albertone Oliveira Amorim (OAB-BA 36.781) e Danilo Lima Menezes (OAB-BA 64.677), interpôs Agravo de Instrumento contra a decisão liminar, argumentando que as irregularidades eram "meramente formais" e "sanáveis", e que os erros haviam sido "prontamente corrigidos". A própria ASSEGE revelou nos autos que organizou concursos em Porto da Folha para 21.698 inscritos e em Aquidabã para 14.736 inscritos — números que apenas confirmam a escala do esquema investigado.
De forma reveladora, o próprio Município de Porto da Folha reconheceu as irregularidades em sua manifestação de 26 de março de 2025, declarando que "as falhas identificadas comprometem a legalidade, a transparência e a moralidade do certame, tornando sua suspensão e anulação definitiva imperativa".
Análise: O Sistema que Falha em Proteger
A investigação do O Fiscal revela um padrão sistêmico de falha institucional que vai além da fraude da ASSEGE:
1. A banca fraudou — desviou taxas, fabricou isenções fictícias, possivelmente alterou gabaritos, usou empresas de fachada e operou uma rede criminosa em pelo menos dois estados.
2. As prefeituras foram coniventes — contrataram a ASSEGE sem licitação, não fiscalizaram a execução do contrato e, quando os concursos foram suspensos, aproveitaram a brecha para contratar centenas de apadrinhados políticos sem nenhum critério de mérito.
3. O Ministério Público demorou — embora tenha eventualmente agido com firmeza através do GAECO e das operações Gabarito I e II, a propositura da ação anulatória só ocorreu 10 meses após a prova, e o inquérito permanece inconcluso quase dois anos depois.
4. A população paga — 28.515 candidatos que estudaram e prestaram as provas continuam sem resposta. A população dos dois municípios — somados, cerca de 51 mil habitantes — segue sendo atendida por profissionais contratados por afinidade política, sem qualquer garantia de competência técnica.
O portal O Fiscal continuará acompanhando o desdobramento de todos os processos judiciais e operações policiais relacionados a este caso, garantindo que a sociedade tenha acesso transparente ao andamento das investigações.
Direito de Resposta
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Sobre o autor
Editor-Chefe
Advogado, Administrador, e Engenheiro de Alimentos, empreendedor multidisciplinar, docente universitário e cientista político. Editor-Chefe e Fundador de O Fiscal (2026) e da CBPC — Companhia Brasileira de Produção Científica (2008-2025), onde liderou a publicação de cerca de 10.000 artigos científicos. Autor de dezenas de artigos científicose jornalísticos, e ainda de diversos livros.
Ver perfil completoFontes e Citações
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MPSE — Operação Gabarito (Fase I)
Operação cumpre mandados em Aracaju, Aquidabã, Feira de Santana e Alagoinhas contra fraudes em concursos públicos (26/06/2025)
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2
MPSE — Operação Gabarito (Fase II)
MPSE aprofunda investigação contra fraudes estruturadas nos concursos de Aquidabã e Porto da Folha (12/12/2025)
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3
MPSE — Operação Ruídos (apoio ao MPBA)
Mandados cumpridos em Aracaju em apoio à Operação Ruídos do MPBA (14/03/2025)
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4
Infonet — Justiça suspende concurso de Porto da Folha
Justiça suspende concurso público do município de Porto da Folha após suspeitas de irregularidades
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5
Infonet — Fraudes em concursos
Mandados foram cumpridos em Aracaju e Aquidabã contra fraudes em concursos
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6
Política de Fato — MP favorável à suspensão
MP-SE manifesta-se favorável à suspensão do concurso de Porto da Folha por suspeita de irregularidades
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7
Sergipe Notícias — Justiça suspende concurso
Após suspeitas de irregularidades, Justiça suspende concurso de Porto da Folha
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93 Notícias — Aprovados denunciam
Aprovados denunciam criação de ~300 cargos comissionados e temporários enquanto nenhum concursado é nomeado
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ALESE — Dep. Garibalde Mendonça lê manifesto
Deputado lê manifesto dos aprovados no concurso de Porto da Folha na Assembleia Legislativa (06/03/2025)
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A Tarde — Cidades baianas alvo de operação
Cidades baianas são alvos de operação contra fraude em concurso público
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Agência Sertão — Concurso Rio Real suspenso
Concurso de Rio Real (BA) com 661 vagas suspenso — ASSEGE reduziu proposta de R$ 400 mil para R$ 125 mil
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MPSE — Operação Societas Illicita (Aquidabã)
Prefeito de Aquidabã afastado por organização criminosa e lavagem de dinheiro (29/08/2024)
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13
Proc. 202580000637 — ACP Anulatória
Petição Inicial do MPSE detalhando as 5 fraudes documentadas no concurso de Porto da Folha (24/03/2025)
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Proc. 202580000637 — Decisão Liminar
Juiz Isaac Costa Soares de Lima suspende os 3 editais, bloqueia pagamentos e fixa multa de R$ 10.000/dia (05/05/2025)
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Proc. 202480002782 — Decisão Saneadora
Juiz Raphael Ferreira Rocha Santana determina junção dos processos para julgamento conjunto (01/12/2025)
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16
Portal da Transparência — Porto da Folha
Relação de servidores temporários contratados em jan-mar/2025: ~468 contratos, ~233 profissionais
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17
ACP de Obrigação de Fazer — PSS
MP exige anulação de contratos temporários ilegais e realização de PSS com multa de R$ 5.000/contrato (24/03/2025)
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18
PCI Concursos — Organizadora ASSEGE
Histórico de concursos organizados pela ASSEGE em municípios da Bahia e Sergipe